quinta-feira, 10 de março de 2011

Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes...

“Todavia ainda agora diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal.” Joel 2:12 e 13

O povo de Israel tinha uma séria dificuldade de obedecer a Deus. Ou melhor, não conseguia permanecer por muito tempo servindo e adorando somente a Deus. Acabava cedendo à idolatria. Por diversas vezes, Deus repreende seu povo por meio de Moisés e de muitos outros profetas. Algumas vezes, o povo se arrependeu e se voltou, de fato, para Deus. Nessas ocasiões de arrependimento, o povo costumava rasgar suas vestes e se cobrir com pano de saco em sinal de humilhação.

O livro de Joel é mais uma das repreensões ao povo de Deus. O profeta começa descrevendo a desolação em que a terra de Judá estava vivendo, devido a um ataque bélico representado metaforicamente no texto pela figura dos gafanhotos. Daí, Joel conclama o povo a se arrepender e se voltar a Deus em oração pedindo sua misericórdia e perdão.

Dentro desse contexto, Deus, mais uma vez, prova Seu amor por esse povo ao dar uma nova chance. Podemos ver isso no versículo acima, onde o Senhor lembra o povo da Sua grande benignidade e misericórdia, chegando a dizer que Ele se arrepende do mal! Em outra versão desse texto bíblico, diz que o Senhor é “inclinado a suspender o castigo”! Ou seja, Deus estava “torcendo” para que o povo se arrependesse e, assim, Ele suspenderia o castigo.

Porém, o que mais me chama atenção nessa passagem é quando o Senhor diz que o povo deveria rasgar o coração e não as vestes. É interessante que Ele começa falando de conversão, ou seja, transformação, mudança de rumo. Essa conversão tinha que ser verdadeira, de todo coração, não apenas da boca para fora. Por isso, o povo devia não apenas cumprir aquele ritual de arrependimento: rasgar as vestes, se vestir de pano de saco e se prostrar no pó. É possível que muitos tenham feito isso pensando que assim conquistariam o coração de Deus, porém, por não rasgarem juntamente os seus corações, o Senhor desprezava essa falsa humilhação.

Deus nos mostra, por meio dessa passagem, que os olhos Dele não estão voltados para as nossas atitudes externas, mas sim, para a intenção do nosso coração. Ele não está interessado em gestos e rituais vazios. Ao contrário, Ele quer um coração contrito e quebrantado (Sm 51:17), um coração sincero diante Dele.

Aqui reside uma grande lição: não adianta fazer os maiores sacrifícios, as maiores obras, nem mesmo o maior gesto de humildade, se o coração não for sincero. Isso seria apenas uma mentira, farisaísmo. Deus não quer sacrifícios, Ele quer nosso amor sincero, nossa devoção sincera.

Quando realmente nos arrependemos, não é preciso sequer atitudes humilhantes para demonstrar esse arrependimento, porque o Senhor conhece o coração. E Ele não resiste a um coração arrependido. Faz parte da Sua natureza se compadecer e perdoar. Afinal, Ele nos prova somente com o objetivo de nos fazer voltar aos Seus caminhos e nos perdoar, pois nos ama profundamente.

O desejo do Pai continua sendo o mesmo nos dias de hoje. Ele quer que a cada tropeço, a cada pecado nosso, realmente prostremos o nosso coração diante Dele em arrependimento. E não somente esbocemos externamente um arrependimento que não existe no coração. Nosso Deus é rico em misericórdia, está sempre aguardando o nosso retorno, exige apenas que esse retorno seja verdadeiro, pois não suporta a falsidade.

Isso é maravilhoso! Podemos ser sinceros com o nosso Deus, Ele nos ama como somos e deseja nos aperfeiçoar a todo o momento nos preparando para o grande dia quando vamos nos encontrar com Ele.

“O Senhor olhou com amor ardente a sua terra, e perdoou o seu povo” (Joel 2:18).

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tempo da Quaresma

Quaresma, palavra que vem do latim quadragésima, é o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa.
A quaresma tem seu inicio na quarta-feira de cinzas e seu término ocorre na quinta-feira santa, na celebração da última ceia de Jesus Cristo com os doze apóstolos...
O tempo da quaresma é de quarenta dias, porém em dias corridos somam quarenta e sete pois, de acordo com o cristianismo, o domingo, que já é dedicado como o dia do Senhor, durante a quaresma não é contado. Após esse período, se inicia o Tríduo Pascal, que termina no Domingo de Páscoa. Quaresma remete, ainda, ao periodo de 40 dias que Jesus passou no deserto em oração.

Tempo de Oração, penitência e mudança de atitude

A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja Católica, marca para preparar os fiéis para a grande festa da Páscoa. Durante este período, os seus fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver como filhos de Deus.
A Igreja Católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na Quarta-feira de Cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma consequência da penitência.

terça-feira, 8 de março de 2011

Evangelho de Lucas

Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
Perguntou-lhes, então: "De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?" Um deles chamado Cleófas, respondeu-lhe: "És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?" Perguntou-lhes ele: "Que foi?" Disseram: "A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e em palavras, diante de Deus e de todo o povo. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele que havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram."
Jesus lhes disse. "Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória?" E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.
Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-no a parar: "Fica conosco, já é tarde e já declina o dia." Entrou então com eles. Acontecendo que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapereceu.
Diziam então um para o outro: "Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os onze e os que com eles estavam. Todos diziam: "O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão. Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão."    (Lc 24, 13-35)